À Jennifer Moyer
Abri um livro e, antes de começar a lê-lo, me fixei na dedicatória da primeira página. Dizia: À memória de Jennifer Moyer, que deixou tudo melhor do que havia encontrado. É o que todos nós gostaríamos de ver escrito no nosso obituário, imagino.
Desconheço quem seja Jennifer Moyer, mas simpatizei com essa moça (garanto que ela nunca deixou de ser moça, mesmo que tenha morrido aos cem). Só as pessoas de alma jovem e sadia é que entendem que a gente não vem ao mundo para sugá-lo, para retirar dele o suco possível e deixar para trás o nosso lixo. Encontramos o mundo de um jeito, ao nascer. É uma questão de honra que ele esteja melhor ao partirmos.
Mas não é tarefa fácil. Eu desanimo quando vejo a quantidade de pessoas grosseiras que se reproduzem feito gremlins. Nem mesmo nosso chefe de Estado anda conseguindo manter a compostura.
Não é porque todo mundo fala palavrão – e todo mundo fala mesmo – que Lula precisa usar o mesmo recurso para se expressar em público. Aliás, vale para todos os que ocupam alguma hierarquia, sejam diretores de empresa, professores, pais. “Menino, vá estudar, ou quer ficar na merda pra sempre?”
Esse exemplo de elegância no tratamento é comum nos lares brasileiros, e com aval presidencial, tende a se perpetuar.
Se a gente quer que nossos netos herdem um mundo melhor, é preciso arregaçar as mangas agora e aqui, Copenhague fica muito longe. Então vamos lá: ninguém morre se caminhar três quadras em vez de usar o carro ou se procurar uma lixeira em vez de jogar a lata de refrigerante no meio da rua.
E não é só consciência ambiental que precisamos exercitar, mas também uma consciência básica sobre a arte de conviver. Não é possível que as pessoas sigam sendo tão maldosas e ariscas, sempre alfinetando os outros, sempre interpretando erroneamente os bons atos e cultivando um complexo de perseguição que mina as relações.
Ninguém mais acredita em ninguém, ninguém confia, todos vivem com a faca entre os dentes, temendo passar por otários.
E é o que acabam sendo. Se tivessem uma visão um pouco mais pacifista, iriam facilitar muito as relações humanas. Esperar o melhor dos outros é uma atitude contagiante, mas, infelizmente, esperar o pior também é. E fica essa guerra de nervos no ar.
Tenho uma visão bem individualista sobre o que torna o mundo mais habitável: cada um fazendo a sua parte já ajuda um bocado. Não estou falando apenas de contribuir com dinheiro para entidades carentes, adotar bichos de rua, doar sangue, mas também em cuidar do nosso humor, praticar a cortesia, aplaudir, elogiar – não há submissão nenhuma em ser positivo.
Mas somos acomodados e preferimos esperar por soluções estabelecidas de cima para baixo, como se a nossa colaboração fosse inexpressiva.
Dedico esta crônica à minha musa inspiradora de hoje, Jennifer Moyer, que sei lá o que fez para ser homenageada com uma dedicatória num livro, mas pouca coisa não foi:
ou ela soube transmitir aos filhos a importância de se viver sem mágoas, ou ela soube cultivar seus amigos, ou ela sempre foi justa, ou não se deixou levar por vaidades bestas, ou simplesmente sorriu mais do que praguejou. Ou tudo isso junto, o que já é um belo lote de atos revolucionários.
Texto de Martha Medeiros
segunda-feira, 1 de março de 2010
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
Saúde do Beija-flor
É comum quando gostamos de passáros,
especialmente beija-flores,
colocarmos-lhes água com açúcar
nos bebedouros.
Entretanto saibam que
ISSO MATA O BICHINHO.
Deixem- me explicar melhor:
o açúcar em contato com a água forma um fungo
que traz doença, semelhante ao câncer, no
biquinho do beija- flor
A saída é comprar Thrill ou assemelhados,
como o Néctar que é vendido nos supermercados
e que já vêm adoçados sem adição de açúcar,
garantindo, desta forma, a saúde do bichinho!
O pacote custa R$ 6,70 e dura 2 ou 3 semanas
dependendo da quantidade
de bebedouros que você tiver..
Além do mais você pode deixar a solução lá por
5 dias sem problemas,
enquanto que a água com açúcar
tem que ser trocada diariamente,
e o bebedouro deve ser fervido
e muito bem limpo para não matar o beija- flor.
O mais impressionante é que (quase) NINGUÉM SABE disso,
então, por favor, divulguem a informação
pois é muito triste sabermos
que as pessoas que gostam de cuidar dos beija-flores
podem acabar provocando suas mortes.
É comum quando gostamos de passáros,
especialmente beija-flores,
colocarmos-lhes água com açúcar
nos bebedouros.
Entretanto saibam que
ISSO MATA O BICHINHO.
Deixem- me explicar melhor:
o açúcar em contato com a água forma um fungo
que traz doença, semelhante ao câncer, no
biquinho do beija- flor
A saída é comprar Thrill ou assemelhados,
como o Néctar que é vendido nos supermercados
e que já vêm adoçados sem adição de açúcar,
garantindo, desta forma, a saúde do bichinho!
O pacote custa R$ 6,70 e dura 2 ou 3 semanas
dependendo da quantidade
de bebedouros que você tiver..
Além do mais você pode deixar a solução lá por
5 dias sem problemas,
enquanto que a água com açúcar
tem que ser trocada diariamente,
e o bebedouro deve ser fervido
e muito bem limpo para não matar o beija- flor.
O mais impressionante é que (quase) NINGUÉM SABE disso,
então, por favor, divulguem a informação
pois é muito triste sabermos
que as pessoas que gostam de cuidar dos beija-flores
podem acabar provocando suas mortes.
A praga das pessoas, por Rafael Fernandes* **FONTE ZERO HORA
Ao desenvolver a Teoria de Gaia, o cientista inglês James Lovelock sustentou a ideia de que o planeta Terra é um gigantesco organismo vivo, que se autorregula e abrange todas as formas vivas existentes (inclusive os seres humanos). Admitindo que a Teoria de Gaia seja plausível, podemos classificar o quadro global de devastação ambiental como uma doença crônica desse superorganismo, assim como o aumento da temperatura no planeta pode ser comparado ao estado febril de uma pessoa.
Quando uma doença se abate sobre um organismo, pode ocorrer um entre três resultados: a remediação, que resultará na destruição dos patogênicos invasores; a infecção crônica, que levará à morte do hospedeiro (e, consequentemente, do invasor), ou, ainda, a construção de uma relação mutuamente vantajosa entre invasor e hospedeiro, conhecida na biologia como simbiose. A Terra é um ser agonizante porque os seres humanos comportam-se como micro-organismos patogênicos e, à medida que nossa ação destruidora aumenta, os efeitos patológicos tornam seu estado irreversível.
Resta saber o que nos afasta da ideia de cooperar com o nosso planeta. Recentemente, na 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP15), realizada em Copenhague, as lideranças mundiais demonstraram o quão longe estamos de viver em harmonia com Gaia. A nossa convivência em sociedade deixa claro o quanto podemos ser inteligentes como indivíduos e o quanto somos limitados, ignorantes e grosseiros como coletivo. De certa forma nossas “qualidades” coletivas refletem-se nas pessoas que escolhemos para nos representar e, a partir disso, não surpreende a falta de resultado em Copenhague, a miséria do Haiti, os escândalos na política, os conflitos armados e a febre de Gaia.
* Artigo publicado pelo jornal Zero Hora em 21 de janeiro de 2010 (Edição nº 16.222; p. 26).
Ao desenvolver a Teoria de Gaia, o cientista inglês James Lovelock sustentou a ideia de que o planeta Terra é um gigantesco organismo vivo, que se autorregula e abrange todas as formas vivas existentes (inclusive os seres humanos). Admitindo que a Teoria de Gaia seja plausível, podemos classificar o quadro global de devastação ambiental como uma doença crônica desse superorganismo, assim como o aumento da temperatura no planeta pode ser comparado ao estado febril de uma pessoa.
Quando uma doença se abate sobre um organismo, pode ocorrer um entre três resultados: a remediação, que resultará na destruição dos patogênicos invasores; a infecção crônica, que levará à morte do hospedeiro (e, consequentemente, do invasor), ou, ainda, a construção de uma relação mutuamente vantajosa entre invasor e hospedeiro, conhecida na biologia como simbiose. A Terra é um ser agonizante porque os seres humanos comportam-se como micro-organismos patogênicos e, à medida que nossa ação destruidora aumenta, os efeitos patológicos tornam seu estado irreversível.
Resta saber o que nos afasta da ideia de cooperar com o nosso planeta. Recentemente, na 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP15), realizada em Copenhague, as lideranças mundiais demonstraram o quão longe estamos de viver em harmonia com Gaia. A nossa convivência em sociedade deixa claro o quanto podemos ser inteligentes como indivíduos e o quanto somos limitados, ignorantes e grosseiros como coletivo. De certa forma nossas “qualidades” coletivas refletem-se nas pessoas que escolhemos para nos representar e, a partir disso, não surpreende a falta de resultado em Copenhague, a miséria do Haiti, os escândalos na política, os conflitos armados e a febre de Gaia.
* Artigo publicado pelo jornal Zero Hora em 21 de janeiro de 2010 (Edição nº 16.222; p. 26).
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